O Bloco de Esquerda e o PAN querem avançar com uma recomendação ao Governo para que tome medidas de controlo sobre o consumo excessivo de ritalina. Conhecido como o “comprimido da inteligência”, a venda de ritalina aumentou mais de 77% entre 2011 e 2015, com os médicos a alertar para os riscos associados à toma prolongada do medicamento destinado a tratar a hiperatividade e o défice de atenção.
De acordo com o jornal Diário de Notícias, o crescimento galopante do consumo deste estimulante do sistema nervoso central está a alarmar os bloquistas. O partido vai avançar com um pedido de reforço dos psicólogos nas escolas para acompanhar a evolução da prescrição de metilfenidato (com a designação comercial de ritalina) no caso dos alunos diagnosticados com perturbação de hiperatividade com défice de atenção [PHDA].
O PAN mostra-se favorável à iniciativa e está a planear uma resolução no mesmo sentido. O deputado André Silva assegura que irá questionar no Parlamento o líder do Executivo socialista, António Costa, sobre se tem conhecimento de que há alunos a tomar ritalina para melhorar o rendimento escolar. Entre os sociais-democratas, a questão está a ser ainda analisada “em termos técnicos”.
Ao jornal, o pediatra Mário Cordeiro sublinha que a ritalina “não é, como a determinada altura nos EUA, a ‘pílula mágica’ que ‘produzia génios’, mas também não se pode cair no extremo de ser considerada um ‘veneno'”. O pediatra defende ainda que a prescrição deve ser feita por ” pediatra ou neuropediatra, pedopsiquiatra ou neurologista em geral, na ausência do neuropediatra”.
A faixa dos 10 anos 14 anos é a que mais consume ritalina, com um consumo total de mais de 5 milhões de doses por ano de metilfenidato, segundo um relatório da Direção-Geral de Saúde (DGS). Seguem-se os jovens da faixa etária dos 15 aos 19 e, logo a seguir, as crianças dos cinco aos nove anos.