A Europa respirou de alívio com o resultado da primeira volta das eleições francesas. A vitória de Emmanuel Macron pareceu afastar a ameaça anti-euro e as sondagens indicam que o centrista tem fortes possibilidades de vencer a segunda volta contra Marine Le Pen no próximo domingo. No entanto, mesmo que Macron chegue ao Eliseu, poderá ser demasiado cedo para um festejo conjunto na Europa, avisa o colunista da Bloomberg Ferdinando Giugliano.
Num artigo de opinião intitulado “Itália é o próximo grande problema da Europa”, o colunista explica que a esperada nova fase de estabilidade na zona euro poderá ainda estar próxima já que “do outro lado dos Alpes, uma tempestade económica e política está a formar-se e não há sinais de que alguém a possa travar”. Os problemas económicos de Itália são mais graves do que os de França, justifica Giugliano.
O rácio de dívida pública italiana está próxima de 133% do PIB, enquanto a de França está em 96%. Também no crescimento económico, Itália fica atrás de França e da última vez que o primeiro cresceu mais que o segundo foi em 1995. O colunista identifica a competitividade como um campo em que ambos os países têm tido dificuldades, mas a produtividade francesa tem subido desde 2001, enquanto a italiana estagnou.
Se na economia a Itália suplanta a França, o maior problema vem mesmo da política. Ao género de Le Pen francesa, o populista Movimento Cinco Estrelas, que defende um referendo ao abandono da União Europeia, tem ganho espaço. Em maio de 2018, há eleições gerais no país e “um ano é muito tempo em política”, escreve Giugliano, que acredita que a hipótese de um governo anti-euro em Itália não está afastada.
“Os defensores do projeto europeu em Itália estão à procura de um Macron italiano – alguém que possa oferecer uma solução liberal para os problemas económicos em Itália enquanto enfrente a ameaça do ‘Itexit’. Os investidores gostariam disso. No outono, o Banco Central Europeu vai abrandar a compra de dívida governamental. As perspetivas de instabilidade em Roma pode assustar os investidores, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida italiana”.