O Millennium BCP vai publicar os seus resultados do primeiro trimestre na segunda-feira, dia 8 de aaio e o Caixa BI já fez uma antevisão daqueles que serão os números do único banco cotado cujas ações fazem parte do PSI 20.
“Prevemos um lucro líquido consolidado de 40,3 milhões de euros no primeiro trimestre de 2017 contra um lucro líquido de 46,7 milhões de euros no 1º trimestre de 2016 (-13,7% no período) e que compara com um lucro líquido de 275 milhões de euros no último trimestre do ano passado (-85,4%)”.
Para o analista do banco de investimento, o BCP está num processo de normalização da atividade. “Conforme descrito no nosso último relatório (“Um ano de transição: este tempo (realmente) é diferente?”), divulgado a 22 de março, o BCP definiu 2017 como um ano de transição”, relembra a nota.
A margem financeira deverá manter a tendência subjacente nos últimos trimestres, com um crescimento de 3,2%, para 333,4 milhões de euros (+ 14% em termos homólogos), uma vez que o custo dos depósitos a prazo deverá continuar a diminuir em Portugal.
“Neste trimestre, o BCP beneficiará também do reembolso dos 700 milhões de euros de obrigações CoCos ao Estado Português (concluído em Fevereiro de 2017)”, lembra o analista André Rodrigues na nota de research.
“As comissões deverão ficar praticamente estáveis ??em termos homólogos (+ 0,2% para 164,3 milhões). Também os resultados de trading deverão manter um desempenho próximo do nível apresentado nos trimestres anteriores (30,3 milhões de euros na nossa previsão)”, refere o research.
O Caixa BI prevê que os custos operacionais do banco liderado por Nuno Amado deverão aumentar apenas 0,6% para 244,5 milhões de euros. Isto com uma diminuição de 1,0% nos custos com pessoal para 137,1 milhões de euros e um aumento de 3,0% nas outras despesas administrativas (para 94,6 milhões de euros no 1º Trimestre). Neste contexto, o lucro operacional terá sido de 276,5 milhões de euros (+ 19,6% em termos anuais).
Já no que se refere aos encargos de provisões, as imparidades para crédito são estimadas em 171,5 milhões de euros, equivalentes a um custo de risco de crédito de 133 pontos de base. Esperamos também um reforço das “outras imparidades”, com um custo total de 37,5 milhões de euros no trimestre (de acordo com as orientações do BCP para o ano).
No que se refere à qualidade dos activos, a nota recorda que o crédito em risco (NPEs – Non- Performing Exposure) diminuiu para 9,4 mil milhões de euros em 2016 (-11.4% face aos 10,6 mil milhões em 2015), dos quais 8,5 mil milhões na atividade em Portugal. A cobertura desses NPEs foi de 99%. “O Banco tem como objectivo reduzir este stock em 1 mil milhões de euros em 2017 e esperamos que esta mensagem seja mantida nesta apresentação dos resultados”, refere o Caixa BI.
Sobre a solidez do banco, refere que a conclusão do aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros em Fevereiro eliminou as principais preocupações relacionadas com o rácio de capital. O banco apresentou um rácio proforma de CET 1 de 11,1% (fully implemented) e 12,8% (phasing in), já incluindo os impactos da emissão de direitos do aumento e capital e o reembolso dos 700 milhões de euros dos títulos CoCo concluído em fevereiro.
O Caixa BI conclui que as tendências positivas subjacentes às principais variáveis ??(nomeadamente, a margem financeira) deverão continuar a ser visíveis no 1º trimestre deste ano (incluindo o reembolso dos 700 milhões de obrigações CoCos concluídas em fevereiro). “De um modo geral, a dinâmica positiva esperada para as receitas ? com os resultados antes de provisões a ficarem acima de 1 mil milhões de euros no ano ? e a redução gradual do custo do risco de crédito serão os principais factores impulsionadores do capital do BCP”.