Erdogan saúda Trump e o responsável vive nas montanhas da Pensilvânia

A surpresa entre os entusiastas com a vitória do republicano é o presidente islâmico da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

O próprio Erdogan já convidou Trump para visitar Ankara numa entrevista depois da eleição, em que expressou que "os EUA e a Turquia poderiam cooperar mais na Síria".

A questão que os analistas colocam por estes dias é: Porque é que um líder turco, cujo partido político é inspirado pela irmandade muçulmana, está tão feliz com um presidente que referiu várias vezes o seu desejo de proibir a imigração muçulmana nos EUA?

Muito disso tem a ver com o estatuto de Fethullah Gulen, um clérigo muçulmano que vive nas montanhas Pocono da Pensilvânia. Erdogan, líder turco, afirma que Gulen orquestrou o golpe fracassado contra ele em julho.

O presidente Barack Obama denunciou a tentativa de golpe mas, até agora, o seu governo ainda não reviu o estatuto de Gulen como residente permanente nem considerou as provas que a Turquia forneceu ao Departamento de Justiça como apoio às alegações de que o clérigo desempenhou um papel importante na tentativa de golpe.

Michael Flynn, um general aposentado que liderou a Agência de Inteligência de Defesa durante dois anos sob o controlo do presidente Obama e, é o favorito para conselheiro de segurança nacional de Trump, publicou um editorial no "Hill Newspaper" argumentando que a América não deveria fornecer um refúgio seguro a Gulen, acrescentando que ele era o "Osama bin Laden turco".

Depois de contactar o gabinete oficial de segurança nacional dos EUA, a "Bloomberg" concluiu que aquele editorial de Flynn era como uma "abertura diplomática" ? uma oferta de aliança a Erdogan para que este se compromete-se a combater a guerra do estado islâmico na Síria.

O editorial de Flynn teve o efeito pretendido, e deixou Erdogan a a acreditar que uma união com uma América republicana seria melhor. Para além disso, o líder turco está fortemente convencido de que Gulen apoiava Hillary Clinton.

Jason Weinstein, advogado da Gulen em Washington sustenta que, "dada a retórica de Trump na campanha, não é de espantar que muitos muçulmanos tenham apoiado Clinton”, acrescentando que Trump não poderia simplesmente chutar Gulen para fora do país sem primeiro dar ao clérigo exilado uma oportunidade no tribunal para defender o seu estatuto como residente permanente.

“Como o presidente eleito que expressou muitas vezes que somos uma nação de leis, esperamos que a lei seja seguida neste caso. Estamos confiantes de que o Sr. Gulen não será devolvido à Turquia, onde é certo que será submetido a tortura, a um julgamento simulado e, finalmente, a uma execução. ”

Alguns analistas criticaram a coluna de Flynn, alegando que este pode ser o primeiro escândalo de ética da equipa de Trump, apontando para outro relatório que afirma que Flynn não revelou que a sua empresa de consultoria tinha como cliente um empresário turco proeminente e aliado Erdogan.

Flynn espera que sua oferta possa atrair Erdogan no sentido de conceder mais tropas, facilitar os voos e fornecer mais ajuda aos rebeldes sírios.

in Diário Economico

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