Podem as questões emocionais ser resolvidas pelos economistas com base em números e dados, e em apenas duas questões? A resposta é afirmativa. Estes dois investigadores reuniram informações de 3.600 casais heterossexuais que tinham respondido a duas perguntas num grande inquérito nacional:
? Mesmo que seja muito improvável, imagine por um momento como diversas aspetos da sua vida mudariam se vocês se separassem. Como você acha que a sua felicidade, de uma forma geral, ficaria?
1) Muito pior 2) Pior 3) Igual 4) Melhor 5) Muito melhor
? E como acha que ficaria a felicidade do seu parceiro nessa mesma situação?
Seis anos depois da pesquisa, 7% dos casais tinham-se divorciado. Dá para imaginar que quem achava que estaria "muito melhor" sem o parceiro não estava motivado para continuar casado, mas esse não era o maior fator de risco para o casamento.
O que fez mais diferença foi a resposta à segunda pergunta e como esta era precisa. Os casais que mais se divorciaram eram justamente aqueles que, seis anos antes, não conseguiram analisar corretamente como o seu parceiro ficaria feliz ou triste fora do relacionamento.
Os casais que tinham perceções incorretas sobre a felicidade dos outros tinham um risco 8,6% maior de se separar. Mas quanto maior era a discrepância entre a expectativa de um e a felicidade do outro, maior o risco, chegando a ter 12% a mais de hipóteses de se separar do que a média.
O estudo mostrou ainda que exagerar na felicidade do outro é mais prejudicial que subestimar. As taxas mais altas de divórcio no estudo surgiram entre as pessoas que achavam que os seus parceiros estavam mais felizes (e sentiriam mais falta deles) do que a realidade.
A conclusão dos pesquisadores é que quando supomos que a outra pessoa está feliz, preocupamo-nos menos em agradar. Mais do que isso, porém, os resultados indicam que quando há falha na comunicação do casal, as coisas tendem a correr mal ? e dá para perceber sinais disso anos antes do final acontecer.