Universidade do Minho lidera projecto europeu de conservação do património

universidadedominho A Universidade do Minho vai criar uma estratégia para a conservação preventiva do património histórico e cultural no sudoeste europeu. O projecto chama-se HeritageCARE, tem oito parceiros e conta nos próximos três anos com 1.68 milhões de euros provenientes do programa Interreg-SUDOE, sendo 1.28 milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). A meta é haver um sistema de monitorização integrada e sustentável do património, criando-se uma entidade sem fins lucrativos que fará inspecções periódicas a edifícios, difundirá boas práticas de conservação a proprietários e cidadãos e aconselhará órgãos governamentais, entre outros aspectos. O projecto aplica a máxima "mais vale prevenir do que remediar" ao património. É liderado pela Universidade do Minho ? através do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Estruturas de Engenharia (ISISE) e do Instituto para a Bio-Sustentabilidade (IB-S) ?, incluindo ainda a Direcção Regional de Cultura do Norte e o Centro de Computação Gráfica. Da Espanha participam a Universidade de Salamanca, o Instituto Andaluz do Património Histórico, a Fundação Santa Maria Real do Património Histórico e, de França, as universidades Blaise Pascal e de Limoges. A equipa teve há dias a primeira reunião em Guimarães. "Vamos partilhar o conhecimento e a experiência em rede, contribuindo para definir directrizes comuns de boas práticas para a inspecção sistemática, diagnóstico, conservação e manutenção do património cultural construído", explica o professor coordenador Luís Ramos, do Departamento de Engenharia Civil da Escola de Engenharia da Universidade do Minho. A metodologia vai ser implementada e validada através de 60 casos de estudo (edifícios classificados e não classificados) distribuídos pelos três países parceiros. O objectivo final é estabelecer uma entidade amiga dos proprietários que supervisione o cumprimento da metodologia e garanta a sustentabilidade dos resultados no futuro. "Esperamos contribuir para a mudança de mentalidades na atitude das pessoas, entidades governamentais e proprietários na protecção e manutenção dos seus edifícios e monumentos, sejam públicos ou privados", nota Luís Ramos. O investigador não tem dúvidas de que o HeritageCARE é merecedor do apoio da UE, ao contribuir para a cooperação e o desenvolvimento regional no sul da Europa. "Os problemas da conservação preventiva em Portugal são similares aos da Espanha e França. Ao definirmos uma metodologia científica e criarmos um sistema de gestão amigável, vamos poder aplicá-la nos três países", justifica. "Por outro lado, com as verbas equivalentes de um único restauro de uma grande igreja, vamos criar um sistema de monitorização e conservação preventiva que salvaguardará centenas de construções históricas com valor cultural, poupando muito dinheiro aos proprietários", reforça. O impacto do projecto pretende ser exportável para outras geografias, como a Itália, que lidera a lista de lugares Património Mundial da UNESCO.

in Construir

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