A taxa de juro implícita nas obrigações portuguesas a 10 anos sobem 6 pontos percentuais para 3,682%, às 20 horas, o que traduz uma subida de 0,14%, face ao fecho anterior quando os juros estava nos 3,677%. Mas chegaram a subir até 3,687%, isto num dia em que Bruxelas deu uma mão ao governo ao ter anunciado que não pediu ao Governo para entregar uma versão revista do Orçamento de Estado apesar de este não cumprir os requisitos para ser aprovado, ao contrário do quer tinha feito no OE do ano passado. Recorde-se que os ministros das Finanças da União Europeia decidiram em agosto, que não iriam impor uma multa a Portugal por, no âmbito do procedimento por défices excessivos, por ter violado a meta do défice em 2015, e na altura foi decidido que em troca Portugal teria de reduzir o défice estrutural de 2017 em pelo menos 0,6 pontos percentuais, o equivalente a 1.100 milhões de euros, o que não vai acontecer.
Hoje o governo de António Costa recebeu três boas notícias de Bruxelas: a luz verde que a Comissão Europeia deu ao Orçamento do Estado para 2017; a decisão de não avançar com a proposta de suspensão dos fundos comunitários, e a previsão da Comissão Europeia sobre o défice português para 2016, que deverá ficar abaixo dos 3%.
Os juros das obrigações soberanas a 10 anos não acompanharam, no entanto, as boas notícias de Bruxelas.
A subida dos juros não é exclusiva de Portugal, afectando a generalidade dos mercados. A taxa de juro a 10 anos de Espanha avançou 6 pontos para 1,559% (+0,39%), tendo o país também beneficiado da decisão de não suspender os fundos estruturais em 2017 por défice excessivo em 2015; os de Itália avançaram 3 pontos para 2,044% (+0,15).
A dívida do Estado francês a 10 anos subiu 7 pontos percentuais para 0,754% (+0,94%).
Em sentido contrário estiveram as bunds alemãs, com a taxa a 10 anos a descer 1,1 pontos para 0,293% (uma queda de 3,3% face ao fecho do dia anterior), o que aumentou o prémio de risco de Portugal para 339 pontos.
Face a Espanha a dívida portuguesa está a 212 pontos de distância.
Perante este facto, o Primeiro-ministro, António Costa já veio dizer que acredita que, na sequência da decisão de Bruxelas sobre o Orçamento para 2017 e perante os dados mais recentes do crescimento da economia, os juros da dívida vão conhecer um ajustamento ao longo do próximo ano: “É muito provável que, ao longo de 2017, perante números que se consolidam sobre o crescimento da economia e a mensagem de confiança da União Europeia relativamente à evolução orçamental portuguesa, os próprios mercados ajustem o custo da nossa dívida face a valores mais compatíveis com a realidade económica do país”, diz o primeiro-ministro citado pela Lusa.