Não vamos destruir o que de bom temos

Veja-se o exemplo dos vários programas e reformas levados a cabo nos últimos anos e que tiveram por consequência um aumento do investimento estrangeiro em Portugal em determinado tipo de setores.

Sabemos, e hoje é notório, que somos um País que está na moda, que as pessoas gostam de cá viver, reconhecem-nos qualidades únicas e, por esse motivo, o Turismo, o Imobiliário e as ?startups' continuam em franco crescimento. Não é mérito de um político, de um governo, de uma câmara municipal ou de um determinado empresário. É o mérito de acreditar num país que se pretende afirmar pela diferença e por aquilo que tem de melhor.

De acordo com vários relatórios disponíveis, os obstáculos ao investimento estrangeiro continuam a ser o da burocracia, da lentidão da justiça, das leis laborais e, mais recentemente, da instabilidade fiscal. Já muito se escreveu sobre este tema. Porém, nunca é demais reiterar os efeitos nefastos que este tipo de mudanças acarreta num futuro próximo e a uma escala dificilmente mensurável. Como todos sabemos, demora muito a construir e muito pouco a destruir. Existem gráficos e estatísticas para todos os gostos. Não obstante, a verdade é que para quem anda a viajar e a tentar promover Portugal como um bom destino para investir, começou a deparar-se com dúvidas e algum ceticismo quanto ao futuro. Isto é indesmentível.

Temos de ter a capacidade de olhar um pouco mais além para que possamos definir onde queremos chegar. Para tal, coerência e estabilidade são fatores absolutamente críticos. Entendo que a observância destes fatores não é incompatível com a necessidade que os governos têm de cumprir com as suas obrigações perante as instituições europeias. O que é fundamental é não destruir um caminho feito. Reitero que não se trata de um problema deste ou daquele governo, mas sim de um problema cultural e, se quisermos, de um problema que assenta numa irresponsabilidade que apenas aproveita a "pequena" guerra política entre partidos.

Vamos continuar a capitalizar o que temos de único. Vamos continuar a investir em Portugal na base de uma estratégia a médio/longo prazo. Se tivermos esta capacidade, tudo o resto virá por arrasto.

in Diário Economico

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